quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Onde você está...



Fechei os olhos, pequenas gotas resplandeciam a luz das velas...
Suas cartas jogadas ao chão...
Seu rosto estava distante em minha memória...
Instantes imaginários encontravam-se no registro das lembranças...
Dedilhava meus lábios, sentia sua falta...

Dois mundos separados, distintos neste imenso universo...
Saí rumo ao nada, rumo à noite latente...
As estrelas brilhavam na total escuridão da vida...
Refletindo suas luzes nos orvalhos cristalinos das pequenas folhas nos galhos...

Olhei para o céu e implorei...
Era um vazio inigualável, um espaço oco que pulsava uma tristeza desnorteada...
Emaranhada em meus próprios pesadelos inquietos, solucei...
Deitei envolvendo meus joelhos contra o peito...

Desamparada, chorava silenciosamente...
Estava sozinha, gritando aos Deuses, rugindo, gemendo...
Éramos dois seres girando...
Sem sairmos do lugar, sem nos separarmos ou nos aproximarmos...
Pálida, sufocada, apaixonada... Entreguei-me ao vento...
E, com ele, transportei-me até você!
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Imagem: Mel Gama

22 comentários:

Cadinho RoCo disse...

No redemoinho de suas palavras versos oceânicos, salgado mergulho haja fôlego nesse turbilhão de movimentos a desafiarem corpo nos lábios comprimidos. Também saio daqui mais não. E lá do meu nosso blog vá às dicas e busque Camisetas Personalizadas. Vontade de ter seus olhos nas pinturas que crio em meio a movimentos que sei lá o que dizer. Mas sei sim que no meu nosso blog soprou vento de alegria boa que veio com sua visita. Vai então agradecimento feliz da vida, ao seu encontro.
Cadinho RoCo

Ana Luar disse...

Tal mãe tal filha é um ditado que se vos aplica na perfeição. É lindo o que escreves e esta música eleva-nos para lá do imaginário.

Claudia Perotti disse...

Esses devaneios do sentir que nos transporta para uma realidade só nossa e sentida. Muito bonito, filha!

Te amo!

Beijinhossssss

benechaves disse...

Oi, menina: que bom seria se pudéssemos voar bem alto e a transportar nosso corpo em direção de um infinito amor. E , então, eu me dirigiria a colher a tal mulher da foto com suas asas à procura de abrigo. E com ela voaria para o plano misterioso da vida.

Um beijo voando...

Ricardo Rayol disse...

nada como a paixão para criar os caminhos

­­Misael Roberto disse...

Conheci o seu site por meio do blog de sua mãe, gostei muito das poesias, você está de parabéns.

Cackau Loureiro disse...

...o vento e a solução de muitos sentimentos!

Muito lindo!

tita coelho disse...

Bela poesia...
Os pensamentos, que lembram a paixão e o amor.. gostei demais das tuas letras hoje!!
beijos

Moacy Cirne disse...

Menina de CristaL; Que belas imagens! E que textos sensíveis! Beijos.

Victor disse...

Querida Giulia
O vento leva-nos sempre até aos sítios sonhados, num rodopio de sentires.
Bonito poema e magnífica imagem.
Beijinhos.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Giulia, lindo poema, que o vento a ajude a encontrar o caminho desejado, boa imagem.
Um beijo de seu amigo

MADRUGADA... disse...

Cruzo então as teias juntas de quem me olha...!

Eu próprio poderia supor que amanhã teria o reflexo dos fios dessas mesmas teias... mas não, gemo na entrega que me não ofertam na partida das lágrimas que o vento leva pelo chão.

EM DIRECÇÃO A ALGUÉM!

Adorei!

Paulo disse...

Como disseram os outros "Tal mãe, tal filha". Acompanho a sua mãe desde que o blog dela se chamava Menina de Cristal e foi fantástico saber que está dando continuidade ao mesmo.

Bjs, menina

Márcia(clarinha) disse...

Que o vento leve todos os sonhos à realidade...
dias lindos flor
beijos

Allan disse...

Oi Giu,

Nossa que lindo poema... Voce sempre me impressina aqui! Adorei mesmo!

Fiquei pensando na frase "e transportei-me ate vc!" Como seria bom se as vezes a gente pudesse se auto transportar, pelo menos a solidao nao teria mais sentido...

A viagem esta otima tirei fotos lindas da paisagem daqui, depois te mando...

Saudades de vc!
Beijos

Allan

Oliver Pickwick disse...

Um poema clássico do fim do amor, em linguagem rica e repleta de referenciais. É claro que ainda que tivesse cem anos poderia chamá-la de Menina de Cristal, pela delicadeza e doçura da sua poesia, no entanto, a maturidade dos seus versos é um chamado para o estado de Mulher de Cristal.
Beijos, e dias felizes!

Cadinho RoCo disse...

Maré que levou-a em comentário ao meu nosso blog trouxe-me aqui, eu vento feito em sopro de gratidão por suas palavras.
Cadinho RoCo

O Profeta disse...

Fantástico menina...o teu espaço é um jardim de sentires...


Doce beijo

Cadinho RoCo disse...

Voltei de novo.
Cadinho RoCo

fgiucich disse...

Las distancias del dolor. Abrazos.

BRUNO LEONARDO disse...

Oi,linda
Novamente vim banhar-me nas tuas águas e sentir seu vento no meu rosto...Este Blog me revigora!Parabéns!

Alessandra disse...

Fabuloso! As reticências dando o ar do ápice, beleza insontida! Ah, menina...